O destino foi Algés, mas a viagem levou-nos muito mais longe, atravessando os caminhos da arte contemporânea, do pensamento crítico e da sensibilidade poética.
Foi de comboio que os alunos da Universidade Sénior partiram para uma tarde cultural organizada no âmbito da disciplina de Filosofia, do professor João Santos, com o propósito de descobrir a aclamada exposição “Graça Morais – Uma Antologia”, patente no emblemático Palácio Anjos.
A nossa experiência ganhou uma nova dimensão graças à guia Cristina, que nos orientou magnificamente ao longo de toda a exposição. Com uma dedicação e entusiasmo fantásticos, Cristina conduziu-nos pelos caminhos da arte contemporânea, ajudando-nos a descodificar e a filosofar sobre os segredos e as mensagens por trás de cada tela.
Esta imponente retrospetiva reúne mais de 170 obras de desenho e pintura que cobrem o percurso da artista desde a década de 1970 até à atualidade.
Dividida por temáticas fortes, a exposição confronta-nos com a rudeza da terra, os rituais, o medo, a guerra e a força do universo feminino, destacando-se ainda um tocante projeto de homenagem aos presos políticos de Caxias — temas profundos que alimentaram ótimas reflexões entre o grupo.
A par da beleza do Palácio Anjos — um magnífico edifício do século XIX mandado construir por Policarpo Anjos e hoje transformado em Centro de Arte Contemporânea —, o grupo pôde mergulhar na história de Graça Morais. Nascida em 1948 na aldeia transmontana de Vieiro e licenciada na Escola Superior de Belas Artes do Porto, a artista projeta na sua obra a herança da sua infância rural, criando quadros repletos de simbolismo que dão rosto às dores do mundo.
Ainda dentro do palácio, vivemos mais um momento especial: a nossa querida aluna Susete, de 92 anos, brindou-nos com uma belíssima declamação do poema “Primavera”, de Florbela Espanca, tocando o coração de todos os presentes.
Depois de absorvermos tanta arte, filosofia e poesia, aproveitámos o cenário exterior do palácio para fazer uma merecida pausa na esplanada. Foi um momento de convívio descontraído, onde partilhámos conversas e sorrisos. Com as baterias culturais recarregadas e muitas memórias felizes na bagagem, o grupo regressou de comboio a Carcavelos.

