Há dias que nos relembram o quão rica é a alma da nossa capital. No passado dia 13 de maio, a Universidade Sénior foi à descoberta. O objetivo? Cruzar os caminhos de dois gigantes da nossa história: a eterna diva do fado, Amália Rodrigues, e o mestre do desassossego, Fernando Pessoa. Uma viagem cultural rica em pormenores, histórias e uma atmosfera única.
A nossa primeira grande imersão foi no número 193 da Rua de São Bento. A Casa-Museu Amália Rodrigues foi o lar da fadista durante 44 anos e lá entrar é fazer uma viagem no tempo, onde o mobiliário original, as coleções pessoais e os seus emblemáticos xailes nos aproximam do lado mais íntimo e autêntico da artista.
Curiosidades:
Amália e as Flores: Amália tinha o hábito castiço de apanhar flores nos jardins alheios quando regressava a casa após longas Tournées. Quando os vizinhos a apanhavam e diziam que lhas ofereciam, ela respondia com humor: “Não tem a mesma graça, eu roubar a flor e fugir é muito melhor!”.
Antes do estrelato: Antes de encantar o mundo com a sua voz, Amália teve uma vida humilde. Trabalhou como aprendiz de costureira, bordadeira e até numa fábrica de doces.
A pintura que a substitui: Logo na entrada da casa, destaca-se uma tela do pintor Pinto Coelho que retrata Amália aos 50 anos de carreira. Foi a própria fadista que escolheu o local, afirmando que, quando ela partisse, aquele quadro continuaria ali a receber os seus visitantes.
Depois da visita à Casa-Museu Amália Rodrigues, parámos no carismático Jardim da Parada (oficialmente Jardim Teófilo Braga), no coração de Campo de Ourique. É um autêntico oásis urbano, perfeito para esticar as pernas, ouvir o chilrear dos pássaros e absorver a energia deste bairro tão tradicional.
O almoço foi servido no restaurante O Conquistador. Um momento de convívio fantástico, com bons pratos, um serviço caloroso e aquela energia típica que só a nossa gastronomia consegue transmitir para restabelecer as forças do grupo.
De tarde, a nossa rota literária levou-nos até à Casa Fernando Pessoa, localizada também em Campo de Ourique. Esta foi a morada onde o escritor viveu os seus últimos 15 anos de vida (1920–1935). Hoje, o espaço é um museu de literatura interativo e muito moderno.
Curiosidades:
Um místico por detrás dos óculos: Pessoa era fascinado por astrologia. Tinha o hábito rigoroso de fazer não só o seu mapa astral, mas também o mapa detalhado de nascimento dos seus heterónimos mais famosos, como Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
Uma multidão num só homem: Ao longo da sua vida, Fernando Pessoa foi muito além dos três ou quatro autores fictícios mais conhecidos. Investigadores catalogaram a impressionante marca de 137 heterónimos e personalidades literárias, incluindo três mulheres. Pessoa mergulhava em áreas tão distintas como as ciências, a história, filosofia, línguas ou outras, dotando cada figura de uma voz própria, de um passado único e, muitas vezes, de uma profissão diretamente ligada a esse universo de conhecimento.
Criador de Slogans: A sua mente brilhante também se extendeu ao marketing. Pessoa trabalhou como correspondente comercial e publicitário, tendo sido o autor do primeiro e famosíssimo slogan da Coca-Cola em Portugal: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Terminar o dia a bordo do autocarro da Top Bus foi o fecho perfeito para mais uma jornada cultural memorável. A viagem pelo nosso património não fica por aqui — continuaremos a partilhar convosco estas relíquias que contam a nossa história!

