Na passada sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, a Universidade Sénior do Centro
Comunitário da Paróquia de Carcavelos (USCCPC) realizou uma visita de
enoturismo às vinhas e adegas do famoso Vinho de Carcavelos.
O ponto de encontro foi marcado para as 14h30, à entrada do CCPC. O grupo
contou com 20 participantes, todos já bem conhecidos entre si, o que contribuiu
para um ambiente descontraído e animado desde o início. Num pequeno autocarro,
seguimos até à primeira paragem: a Adega Casal da Manteiga, situada na Estação
Agronómica de Oeiras. Aqui encontram-se atualmente 12,5 hectares de vinha,
plantados e geridos pela Câmara Municipal de Oeiras numa parceria com o
Ministério da Agricultura.
Apesar de estarmos na época de pousio, com as vinhas despidas de folhas, as suas
ramagens, iluminadas pelo sol de inverno, revelavam uma beleza serena. Nestes
terrenos cultivam-se castas de uva branca, Galego Dourado, Ratinho e Arinto, e uva
tinta, nomeadamente Castelão, que estão na base do vinho de Carcavelos.
A visita foi orientada por uma escanção, que nos explicou a história destas vinhas,
exploradas desde 1752 por Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de
Pombal e Conde de Oeiras. Foi na sua quinta de família que se iniciou a produção
do Vinho Generoso de Carcavelos, que rapidamente conquistou reputação tanto em
Portugal como além-fronteiras.
Foi também possível visitar a adega de produção, instalada num notável edifício do
século XVIII, de planta octogonal e com uma ampla praça central, exemplarmente
recuperado. Na ala norte decorre a produção do vinho, enquanto na ala sul
acontece o seu envelhecimento. O processo inicia-se com a fermentação em
grandes cubas de aço inoxidável, sendo esta posteriormente interrompida pela
adição de aguardente vínica, o que confere ao vinho o seu carácter generoso, doce
e de maior graduação alcoólica. Segue-se o estágio em barricas de madeira, de
carvalho francês, português ou de castanho, cuja imponência e beleza não deixam
ninguém indiferente.
A segunda e última paragem teve lugar na adega do Palácio Marquês de Pombal,
também do século XVIII, cuja arquitetura é atribuída a Carlos Mardel, figura de
destaque na reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755. Aqui, o vinho
estagia em grandes pipas de 225 litros, num ambiente cuidadosamente preservado.
As condições ideais da adega devem-se à sua construção sobre uma mãe de água,
que assegura a humidade adequada, e às suas características estruturais: paredes
espessas e fachadas parcialmente enterradas, que garantem uma temperatura
estável e uma circulação natural do ar.
Para terminar da melhor forma, e já com o apetite aguçado, o grupo teve
oportunidade de participar numa prova do célebre Villa Oeiras, acompanhado por
tostinhas com azeite também produzido pela autarquia. A adega funciona
igualmente como loja, e muitos dos participantes aproveitaram para adquirir uma ou
mais garrafas deste verdadeiro néctar, prolongando assim a experiência em suas
casas.
A iniciativa foi unanimemente apreciada, tendo vários participantes deixado o seu
testemunho no Livro de Visitas da Adega do Palácio, como sinal de reconhecimento
por uma tarde tão enriquecedora e bem passada.
(Sofia Touzet – voluntária)

